Correndo por bosques sombrios, procuro por aquela luz que as brechas entre as árvores decidem partilhar comigo. Guio-me ao sabor do vento. Esse frio e forte assobio, que arrasta o revestimento filial das minhas companheiras de madeira.
Já sinto o desespero, cada vez maior. Dou por mim acelerada até que distraída ou enganada, tropeço num ramo deslocado. Caio e firo-me, e mantenho-me ali parada, desnorteada. Pergunto aos ventos gélidos por uma solução, uma rota que possa percorrer, mas estes zangados e cansados enfurecem-se num remoinho e não me respondem. Não tenho resposta, não tenho perdão, não tenho guia. Deito-me no solo frio de terra molhada pelo orvalho matinal, e desisto.
É então que do nada oiço uma canção, mais bela do que alguma vez ouvira: dois pássaros que há minha volta voam, e avançam fazendo-me segui-los. Fazem-me avançar pelo escuro bosque mais uma vez, e espero agora por uma saída.
ps.